Diálogo das flores
No tempo que as flores falavam, eu estava no jardim, um dia de verão, quando comecei a ouvir uma conversinha e percebi que eram as flores.A rosa, a rainha das flores, balançava-se em sua haste forte, ao soprar da brisa e olhava as demais florinhas com desdém, quando entrou sem convite, na conversa da margarida com a onze horas: - “O que é que as duas pobrezinhas estão resmungando; você, Margarida, todas as pessoas que lhe apanham têm o único prazer, de desfolha-la, faze-la em pedaços. E a nossa amiga, ali, é operária, escrava do relógio e da sirene. Bateu 11 horas ela tem que trabalhar! Olhem só para mim, as minhas pétalas são macias e rosadas; quem me colhe, leva-me com carinho para ofertar-me à pessoa amada! Sou colocada em vaso de cristal e duro até 10 dias. Os que me vêem, acham-me linda e perfumosa. Recebo elogios de todos! Vocês, na primeira esquina são jogadas, porque já murcharam”.As duas mais humildes, entreolharam-se e uma delas falou baixinho: - “Bonita, porém muito má”.Não demorou, o jardineiro chegou, e arrancou sem dó nem piedade a orgulhosa roseira, porque a criança da casa havia se machucado em seus espinhos e lá se foi a roseira para o lixo.De que valeu tanto orgulho?Como essa orgulhosa roseira, muita gente há que, por fora, é bonita e risonha, mas por dentro, tem o coração duro e fere os outros com suas palavras torpes, como os espinhos. Estas deveriam ser tiradas do nosso caminho, para não nos ferirem; então viveríamos com mais paz e alegria, a vida que Deus nos deu.
Gene - Revista Alvorada – 1972 - nº3 14/7/2006
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